quarta-feira, agosto 25, 2010

Em sentido figurado

"No meu batalhão éramos 600 militares e tivemos 150 baixas. (...) Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia uns pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens."
Estas declarações de António Lobo Antunes foram contestadas pela Liga dos Combatentes, por não respeitarem a verdade dos factos ("Não temos conhecimento que algum batalhão em Angola tivesse esse número de baixas") e insultarem a memória dos mortos.
O escritor desculpa-se, dizendo que “um pouco de todos nós, no melhor dos casos, morreu na guerra”.


A guerra dispensa exageros. Mesmo em sentido figurado...

1 Comentários:

Às 28/08/10, 00:42 , Blogger Ésse Gê (sectário-geral) disse...

Não batam mais no ceguinho por causa do número de baixas no batalhão referido pelo António Lobo Antunes.
Parece-me que estão a bater no homem com um conceito de 'baixa' assaz redutor, ou seja baixa=morto. Nas contabilidades militares contávamos (1) como 'baixa' toda a incapacidade permanente ou temporária para o combate/serviço, numa aproximação aos conceitos de absentismo hoje usados em gestão de RH. Quem consultar, por exemplo, a história das unidades militares (2) que operaram na guerra colonial vai constatar isso mesmo. Daí até o médico do batalhão ter números próximos daqueles, não me admira.
______________
1) Eu estive lá como oficial miliciano de infantaria, daqueles que deu tiros, teve mortos e feridos; eu próprio, vítima de acidente de viação com estadia no hospital, faço parte do número de baixas da minha unidade, embora tenha regressado à guerra e esteja aqui e agora vivinho da silva.
2) A História da Unidade é um documento que todas as unidades tinham que produzir em fascículos referentes ao período de um mês, formatada como 'eles' mandavam e de que constavam as 'baixas' do mês.

 

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