segunda-feira, outubro 23, 2017

Que justiça?


A argumentação do juiz está nos antípodas do que se espera de um órgão de soberania de um estado de direito democrático. 
Uma justiça assim envergonha o país e quem poderá confiar numa justiça aplicada por tais personagens?

sexta-feira, outubro 20, 2017

Tempo de necrófagos

Liga-se a televisão e até os programas de entretenimento usam e abusam das vítimas dos incêndios.
Os fogos já se extinguiram, mas os jornais  continuam a atirar gasolina na esperança de os reacender.
As hienas que andavam acobardadas, cheirou-lhes a caça e já se afoitam em campo aberto. 
Incapaz de resistir ao resfolegar dos chacais, o presidente que era popular virou populista, dando força à matilha.

Por enquanto ainda se medem forças. Porém, como sempre, o importante é separar as águas.
Aos que andam confusos e descrêem da vitória do bem, convém lembrar que os lobos alimentam-se do rebanho,  não servem para o guardar.
(Para Constança, sacrificada para aplacar a raiva das hienas.)


quarta-feira, outubro 18, 2017

As ameaças de Marcelo

Já se sabia: afastado Passos Coelho da liderança do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa não resistiu a interferir na sua substituição e convidou Santana Lopes para almoçar, uma iniciativa que beneficiou este candidato a presidente do PSD, esquecendo outros. Atendendo ao cargo que ocupa, a interferência do presidente nas eleições do seu partido não lhe fica nada bem, mas a invasão das competências de outros órgãos de soberania é muito pior.

Até ontem tinha evitado comprometer-se com a estratégia da direita para atacar o governo usando os incêndios como argumento, mas finalmente deixou cair a máscara que tão bons frutos lhe tem granjeado e veio  incentivar a apresentação de moções de censura no parlamento, brandindo a ameaça da dissolução da Assembleia da República. 
E, no entanto,   entre as ameaças não se lembrou de referir que foram ateados 522 (quinhentos e vinte e dois) fogos florestais numa única noite... Faça as contas, presidente, pois não há bombeiros que cheguem para tanto fogo.

A um presidente da República não compete mandar recados ao parlamento nem remodelar o governo. Compete-lhe nomear o primeiro-ministro designado pela Assembleia da República. 
Um presidente da república que questiona o apoio do parlamento ao governo, põe em causa a constituição, o que num professor de Direito Constitucional é crime agravado.    

Os fogos florestais foram uma tragédia para o país. Usá-los para criar uma crise política em favor dos partidos de direita não ajuda as vítimas e vai atrasar a necessária recuperação das áreas afectadas, das empresas e dos postos de trabalho perdidos. 
Infelizmente no próximo  ano vai haver mais incêndios. Basta olhar para a nossa floresta a norte do Tejo para concluir que, fatalmente, "aquilo só pode arder".  Enxergue-se, presidente, o país que tem é este: desorganizado, sem recursos e sem disciplina. 
Solidarizar-se com as vítimas não pressupõe romarias semanais às regiões afectadas para aparecer na televisão. Já não é comentador semanal,  é presidente. Comporte-se!

terça-feira, outubro 17, 2017

País incendiado

Parecia impossível que a tragédia de Pedrogão Grande se repetisse, mas está a acontecer.
Não acredito nas coincidências acidentais dos incêndios que deflagram no mesmo dia a norte do Tejo um pouco por todo o lado.

Nem todos os incendiários serão doentes mentais e convinha investigar quais as suas motivações  e organização, pois a deflagração simultânea de dezenas de fogos em locais distantes entre entre si não é mera coincidência.
Face ao aproveitamento político que tem acompanhado esta tragédia,  atribuir a distúrbios mentais a motivação de todos os incendiários é demasiado redutor para levar a sério.
Investigue-se pois, senhor presidente.

segunda-feira, outubro 16, 2017

Procura-se um herói, de preferência mártir...

Comparar a situação política actual de Espanha com a do tempo do franquismo, não ajuda as teses independentistas catalãs. Em Espanha vigora uma democracia adulta, reconhecida internacionalmente, ao contrário de algumas práticas do governo catalão condenadas externamente.


As tentativas de vitimização dos seus líderes também não abonam à sua boa fé nem aos objectivos da sua luta.  



Lobos com pele de cordeiro já se viu muito, mas não deixam de ser lobos.

domingo, outubro 15, 2017

Não cortem as asas aos passarinhos


Publicado em 1960, o livro foi um êxito mundial valendo à autora, Harper Lee, o prémio Pulitzer. Em 1962 saiu uma versão cinematográfica com o mesmo titulo em inglês (em Portugal, "Na Sombra e no Silêncio"). 

Parece que um dos grandes problemas dos censores que retiraram o livro da lista de leitura foi o uso da palavra "negro". Negro, branco, preto, azul, amarelo, vermelho, cinzento ou violeta são simples palavras, que em si mesmas nada têm de ofensivo. O sentido que se lhes dá e o contexto em que são ditas ou escritas é que podem ser. O contexto em que foram escritas neste livro está longe de ser ofensivo. Pelo contrário.

Proibir a sua leitura a adolescentes é um acto anti-cultural e aprofunda os sentimentos racistas.     

sábado, outubro 14, 2017

Os medos de Marcelo

Falta um ano para se conhecer a proposta do orçamento para 2019, mas o presidente Marcelo Rebelo de Sousa já está preocupado, não vá o orçamento ser eleitoralista...

Relativamente à lei do orçamento do estado os poderes do presidente da República são idênticos ao das outras leis. Pode promulgar ou vetar. Mais do que isso é interferir com outros poderes, o que a Constituição não lhe permite.

O poder de mandar bocas ninguém lho tira, mas se,  velada ou abertamente, ceder à tentação de intervir nas eleições a favor do seu partido, terá de arcar com as consequências,  como aconteceu com Cavaco Silva que saiu da presidência pela porta dos fundos.

sexta-feira, outubro 13, 2017

A bem da justiça

A divulgação de processos em segredo de justiça pela comunicação social é crime e viola os direitos dos arguidos. Se essa divulgação é feita com a permissão das autoridades judiciais, o estado de direito está em perigo. 

Dir-se-á que nos processos que envolvem personalidades mediáticas isso torna-se inevitável. Os factos, porém, demonstram que nem todos os processos que envolvem personalidades mediáticas têm o mesmo tratamento mediático. A parcialidade da comunicação social portuguesa é notória.

Nao é fácil aos tribunais resistirem à pressão mediática que acaba por condicionar a opinião pública.
Mas os acusados são inocentes enquanto não forem julgados e condenados, e ninguém pode ser condenado antes de serem provados  os  crimes de que vem acusado.
Aos juízes compete garantir que assim suceda, sem se deixarem influenciar pelo frenesim mediático.
Só deste modo será feita justiça.



quarta-feira, outubro 11, 2017

Madrid - Barcelona, jogo perigoso

Confesso que me confundiu um pouco o discurso do presidente da Generalitat, Carles Puigdemont. Admiti que tivesse sido por não compreender a língua catalã, embora a TVE fizesse tradução simultânea para castelhano. Alguém me sossegou dizendo que o presidente catalão se limitara a passar a batata quente da independência da Catalunha a Mariano Rajoy...

No entanto hoje concluí que o primeiro-ministro espanhol também não tinha percebido o discurso de Puigdemont, requerendo-lhe expressamente que o esclareça sobre se declarou a independência da Catalunha, ou não. Embora não entenda catalão, a parte que eu não percebi foi a suspensão da dita. Sobre a declaração não tive dúvidas. Mas talvez o Puigdemont lhe faça um boneco...

Se não houvesse tantas jogadas por baixo da mesa, dir-se-ia que era um jogo de Ping Pong, mas é bem mais perigoso.


segunda-feira, outubro 09, 2017

O mérito de Passos Coelho

As análises e comentários das viúvas e órfãos ideológicos de Passos Coelho, tecendo loas à sua obra, além de parciais como sempre foram, são patéticos e subvertem grosseiramente a verdade.
Há quem lhe atribua até o epíteto de reformista e, no entanto, ninguém se lembra de nenhuma reforma, a não ser que o "enorme aumento de impostos", o corte de salários e pensões, as escandalosas privatizações e o descalabro do sistema bancário e financeiro contem como reformas.

Não, o único mérito de Pedro Passos Coelho foi ter unido a esquerda, algo que só um primeiro-ministro  alt-right conseguiria.

domingo, outubro 08, 2017

Convém não esquecer

Depois de aprovado em Bruxelas com a benção de Angela Merkel, o PEC IV foi chumbado no parlamento português com os votos do PSD, CDS, PCP e BE, abrindo caminho à vinda da Troica e ao governo de Passos e Portas.

Se o PCP e o BE não tivessem acompanhado a direita, talvez se evitasse a vinda da troica, como aconteceu em Espanha, e Passos Coelho talvez não tivesse sido primeiro-ministro. 

Quando finalmente o PCP e o BE perceberam o erro e formaram a Geringonça com o PS, Passos e Portas já tinham vendido os CTT, a TAP, a ANA e os portos, e o maior banco privado português, o BES, tinha desaparecido.
Como tardiamente o FMI também reconheceu, a política seguida pela governação Troica/Passos Coelho estava errada e  o resultado foi desastroso. 

Dourar a pílula, como tenta Marcelo Rebelo de Sousa perante o descalabro do seu partido, não apaga a memória dos portugueses.

quinta-feira, outubro 05, 2017

O senhor, ou senhora, que se segue

A direita portuguesa não costuma arrepiar caminho e normalmente as mudanças são para pior. A excepção Marcelo Rebelo de Sousa é mesmo isso: uma excepção que não teve grande sucesso enquanto líder do PSD.

A escolha do próximo presidente do PSD irá indiciar se o partido  vai continuar no plano inclinado a descair para a extrema direita,  ou faz um esforço para regressar à matriz social democrática  de que se reclama.
Nos nomes de que se fala há gente para os dois lados. Porém, pelo andar da carruagem, a estratégia que pariu e amamentou a aberração que se candidatou a Loures vai continuar.


quarta-feira, outubro 04, 2017

O discurso do rei

Com a intervenção de ontem na televisão, Felipe VI, rei de Espanha, alterou radicalmente a abordagem que vinha sendo seguida pelo estado espanhol na crise catalã.
Sem paninhos quentes, Felipe VI acusou o governo catalão, a Generalitat, de deslealdade inadmissível, e ordenou que fosse reposta a soberania e o respeito pela lei na Catalunha.
Em momento algum falou em diálogo, uma estratégia defendida pelo PSOE que já terá perdido oportunidade, face à táctica independentista de queimar etapas.

A suspensão da autonomia da Catalunha desenha-se no horizonte.

terça-feira, outubro 03, 2017

Revolução das flores

Foi há cinquenta anos. San Francisco, a mítica cidade do norte da Califórnia, submergia sob uma revolução pacífica com a sigla "make love not war". A guerra do Vietname era então  um sorvedouro da juventude americana...

Os tempos são outros, mas a cidade não esquece essa época e nas ruas de São Francisco ainda há flores... 









segunda-feira, outubro 02, 2017

Um Cavaco à moda do Porto

Rui Moreira fez um discurso de vitória raivoso, vingativo e mesquinho, um estilo usado por Cavaco Silva no discurso do segundo mandato presidencial.
Tal como o títere de Boliqueime, o populista do Porto também desconsidera os partidos e finge que não é político, um truque que parece ainda ter eco no eleitorado.
Tal como Cavaco, também Rui Moreira é homem de maiorias absolutas. Esperamos que para bem dos portuenses não faça das suas maiorias nada parecido ao que Cavaco fez com as suas a Portugal: acabou com a frota pesqueira e destruiu a agricultura, para além de outras malfeitorias.

O discurso que fez ontem, no auge da sua popularidade, não augura nada de bom. 
Cavaco acabou como se sabe. Quem lhe segue as pisadas procura o mesmo destino.

domingo, outubro 01, 2017

Votar será escolher?

Fazer escolhas nem sempre é fácil. Escolher pessoas, então, é mesmo um risco. O melhor será escolher ideias, se bem que nem sempre as ideias apregoadas são levadas à prática...

Hoje vota-se em Portugal e na Catalunha. 
Em Portugal trata-se de uma votação, digamos, normal, que se repete de quatro em quatro anos. 
Na Catalunha não. Aqui trata-se de saber se os catalães querem separar-se de Espanha e constituir um outro país.

Se no caso português as eleições terão os efeitos esperados, o caso catalão é mais bicudo, porque nenhum país admite ser amputado do seu território por referendo de quem o quer amputar. 
Como ninguém quer entrar em guerra, talvez a questão se pudesse resolver pelo resultado entre o Barça e o Real Madrid, embora o resultado ficasse dependente da pontaria de um português e de um argentino...

Os referendos aparentemente são democráticos, mas são vulneráveis ao populismo, grande inimigo da democracia.

sábado, setembro 30, 2017

Uma frase que diz tudo

Oficialmente, Porto Rico é um "território não incorporado dos Estados Unidos da América".  Como os outros estados,  tem um governador e o seu presidente é Donald Trump.

Recentemente este território foi devastado pelo furacão Maria que espalhou o caos no arquipélago. Segundo relatos do governador e de outros responsáveis,  há gente a morrer de fome e,  se não se acudir rapidamente,  o resultado pode ter as consequências de um genocídio.

Instado a intervir, Donald Trump saiu-se com esta:

 "This is an island, surrounded by water, big water, ocean water". 



Uma radiografia à  cabeça não seria mais esclarecedora... 


sexta-feira, setembro 29, 2017

Já foste!

Passos Coelho foi um beneficiado da crise  da bolha financeira que deflagrou em 2008, a meio do primeiro governo de Sócrates, até então com um exercício globalmente positivo.

Apesar de já ter negociado com a Comissão Europeia, Eurogrupo e  BCE, um conjunto de medidas que ficaram conhecidas por PEC IV, a  Sócrates e ao seu segundo governo minoritário faltou em 2011 a solidariedade  de todos os partidos da oposição ao rejeitarem o PEC IV. Tendo acabado por se demitir sob pressão do Presidente Cavaco Silva, o verdadeiro líder da oposição ao governo do PS, Sócrates resistiu até o limite, mas foi obrigado a aceitar a vinda da Troica, em cujas negociações  o comportamento dos representantes do PSD deveria ficar na história como exemplo do que como se pode atraiçoar a pátria, fingindo que se defende. 

Entronado no governo com a bênção de Cavaco, Passos Coelho depressa se vangloriou de "ir além da Troica", fazendo cortes em salários e pensões e impondo um "enorme aumento de impostos", para usar a expressão do então Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que ao demitir-se reconheceu por escrito os erros cometidos pelo governo de que fez parte.

Quem nunca reconheceu esses erros foi o principal responsável, Passos Coelho, que  para substituir o arrependido Gaspar nomeou sem pestanejar Maria Luís Albuquerque, provocando a "demissão irrevogável" de Paulo Portas, abafada com o maior cinismo  por Cavaco Silva.  

Sempre cantando e rindo, Passos Coelho ironizava com as dificuldades que os portugueses enfrentavam, aconselhando-os a emigrar e apodando de piegas os que se atreviam a protestar. O empobrecimento do povo dava-lhe gozo.

Apeado da governação após as eleições de 2015, e não se conformando com as decisão da maioria parlamentar que chumbou a sua proposta de governo e veio a aprovar as proposta do Governo PS,  Passos Coelho apostou tudo em dois cenários:
 1 - Na fragilidade da aliança alcançada pelo PS para governar;  
 2 - Na inevitabilidade dos problemas que adviriam do abrandamento da austeridade e da reposição de salários e pensões.

Cenários como o agravamento do deficit e as pressões exercidas pelos mercados sobre a divida, também passavam pela cabeça de Passos Coelho, que assim ia congeminando o seu regresso, contando com a ansiada ajuda do diabo.

O diabo até deve ter andado por aí, pois os incêndios foram demais. Porém, quanto ao deficit, desceu para níveis nunca atingidos em democracia e os mercados acabaram por ser "obrigados" a tirar-nos do lixo, facilitando o financiamento da economia que está a crescer como já pouca gente se lembra.  

Enquanto esperava pela vinda do diabo, o líder do  PSD foi adiando as decisões sobre as autárquicas, um problema menor para quem vive de sonhos mais altos.  
O aumento do emprego, o crescimento da economia, ou a melhoria da opinião dos mercados, foram porém  notícias catastróficas para a estratégia de Passos Coelho, que, atordoado, desceu à terra aos trambolhões.. 
No entanto era tarde para corrigir os erros das autárquicas de que, em rigor, Passos nem fala, limitando-se a criticar o governo inspirado pelas fake news.  
Isto é um sintoma de que ele não mudou e continua desfasado da realidade, não se dando conta de que a cama onde vai acordar depois das autárquicas já está feita.  

quarta-feira, setembro 27, 2017

Antisondagem

Embora mais uma vez apoiado pelo CDS, Rui Moreira, presidente e candidato à câmara do Porto, gosta de se afirmar contra os partidos. Nas anteriores eleições autárquicas ganhou folgadamente  a câmara e desta vez continua a ser apontado como favorito.
Surpreendentemente, pelo menos para quem não segue de perto a campanha no  Porto, apareceram duas sondagens, uma delas muito recente da universidade Católica, que concluem pelo empate entre a candidatura do PS e a de Rui Moreira.


O imbróglio sobre um terreno junto à ponte da Arrábida, onde uma empresa da família do presidente quer construir contra a opinião dos técnicos municipais, pode estar na origem da súbita (?) perda de popularidade do dito candidato independente.
Porém, quem não distingue o interesse público do privado, nem para vogal de uma junta de freguesia...

segunda-feira, setembro 25, 2017

O relatório do Expresso

No sábado, o Expresso fez manchete de um relatório sobre o roubo de Tancos  atribuído a serviços de informações militares, no qual o ministro da defesa e as chefias militares seriam severamente criticados.
Apesar de o primeiro-ministro e o presidente da República terem revelado desconhecer o referido relatório, Passos Coelho e Assunção Crstas cavalgaram alegremente no que aparenta ser mais uma atoarda em tudo semelhante às inventonas em que a direita é costumeira.

Apesar das juras do Expresso, passadas mais de quarenta e oito horas  continua sem se conhecer a origem da manchete, tudo apontando para uma fraude para desacreditar o governo e as forças armadas, que se apressaram a desmentir o seu envolvimento na sua elaboração.
Se dúvidas havia  da cumplicidade do PSD, os indícios que apontam para o conhecimento prévio deste pretenso relatório afastaram-as. 
À falta de ideias para fazerem  oposição,  as lideranças do CDS e do PSD correm atrás de todas as fake news que lhes permitam aparecer na comunicação social, sem a mínima preocupação  com a verdade.

domingo, setembro 24, 2017

Catalunha - o golpe de estado

Quem lidera o movimento independentista da Catalunha é o próprio governo autónomo, la Generalitat, uma instituição constitucional do estado espanhol. Ao rebelar-se contra a ordem constitucional do estado, os membros da Generalitat estão na prática a tentar um golpe de estado.
Embora se escudem no povo, a verdade é que os eleitores catalães estão muito divididos no que à independência da região diz respeito, havendo sondagens indiciando que a maioria está contra este referendo independentista.
Personalidades cujo catalanismo  é inquestionável, como Joan Manuel Serrat, já se declararam contra  este referendo por falta de transparência e democraticidade, responsabilizando o governo da Catalunha pela cisão que provocou entre o povo catalão.

A invocação de valores democráticos para justificar um referendo declarado inconstitucional é outro dos sofismas da Generalitat, que usa o poder constitucional concedido pelo estado espanhol para o desmembrar,  tentando impor a independência a uma região onde pelo menos metade dos cidadãos a rejeita.

Ao forçar um referendo ferido de ilegalidade, o governo catalão fecha as portas ao diálogo que é a única saída para o impasse a que se chegou.


sexta-feira, setembro 22, 2017

Campanha de mentiras

Mentir em campanha eleitoral não é propriamente original, mas há quem abuse: Teresa Leal Coelho, a segunda escolha do PSD à câmara de Lisboa, foi ao bairro ilegal de São João de Brito dizer cobras e lagartos da gestão da câmara na legalização e recuperação daquele bairro.

Não foi preciso esperar pela resposta da câmara, nem do candidato do PS, visado pelas afirmações de Teresa Coelho: Mal a candidata e comitiva viraram costas, a presidente da respectiva comissão de moradores desmentiu, uma por uma, as acusações da candidata, relata o Expresso. 

Ir por lã e voltar tosquiado acontece muito a quem usa a mentira como arma. 

segunda-feira, setembro 18, 2017

Chafurdar

Gostaria de começar esta frase escrevendo: "alguma imprensa gosta de chafurdar na imundice". Infelizmente não posso. Tenho mesmo de escrever: a maioria da imprensa gosta de chafurdar na imundice.

Poderia pensar-se que a imprensa se reporta à imundice dos outros, mas embora em certos casos isso possa ser verdade, noutros que não poucos, é a própria imprensa que cria os factos imundos ou lhes cola a imundice.

Fernando Medina terá trocado de casa, tal como terão feito milhares de portugueses. Medina, porém, é presidente da Câmara de Lisboa, vai candidatar-se a novo mandato e é do PS, o que para a imprensa controlada pela direita, a tal maioria, é razão suficiente para suspeitar de que a troca de casas não foi transparente. Inventar uma narrativa justificativa da sua própria invenção foi o passo seguinte. Que o resto da imprensa se fez eco da inventona também não surpreende.

Para os portugueses também já não é novidade que a imprensa está feita com os partidos de direita. Criar e deturpar factos para prejudicar o governo e o PS é a sua principal função. O resto, ou seja, o jornalismo independente não existe em portugal. Está todo controlado. O seu engajamento à direita é público e notório.
A história da casa de Fernando Medina é apenas mais um exemplo de uma história intencionalmente mal contada.

sábado, setembro 16, 2017

Subir de nível

Portugal nunca foi lixo, mas os mercados só respeitam o capital  e atiram para uma lixeira que inventaram os países que passam por dificuldades. A partir desse momento abandonam-nos à sua sorte e tem de ser o FMI a recupera-los para que os investidores recomecem a conceder crédito a esses países.

Portugal já passou por esse calvário várias vezes - duas depois do 25 de Abril - e a última é bem recente. 
Sair da lixeira é uma benesse para os ministros das finanças que deixam de ter problemas para financiar o país. 
As declarações de António Costa e do ministro Centeno refletem isso mesmo. Já a afirmação de Passos Coelho, garantindo que se os portugueses o deixassem continuar a governar teríamos saído da lixeira há mais tempo, são fruto da dor de cotovelo que o aflige desde que foi corrido e merecem uma sonora gargalhada.
As políticas que obtiveram os resultados que permitiram subir o nível do país não são apenas diferentes das políticas que governo PSD/CDS impôs. São opostas...

Com Passos continuaríamos no lixo. Os portugueses perceberam isso ao recusar-lhe um segundo mandato.

quinta-feira, setembro 14, 2017

Jogo sujo

As eleições autárquicas estão à porta. Como habitualmente, espera-se que a lei seja cumprida e os portugueses votem macissamente.
Há no entanto algumas ameaças: pelo cumprimento da lei zelam os tribunais, que anunciaram fazer greve no dia das eleições... Seria a primeira vez que um órgão de soberania faria greve. Já imaginaram os outros órgãos de soberania, Governo, Presidente da República e Assembleia da República, fazerem greve? Um absurdo. 
Esperemos que o bom senso prevaleça também nos tribunais, como manda a tradição na justiça.

No futebol o bom senso é um bem mais escasso. O bom senso e o sentido de responsabilidade deveriam bastar para que a Federação Pirtuguesa de Futebol não marcasse jogos para os dias em que há eleições, mas parece que está à espera que o governo o proíba, pois refugia-se no vazio legal para justificar os jogos nesses dias. 
Talvez a imaturidade cívica na FPF obrigue o governo a decretar essa proibição, mas provavelmente não vai a tempo de evitar o "boicote" da FPF às próximas eleições autárquicas.
De boicote em boicote, a democracia lá se vai aguentando, mas não lhe fazem bem nenhum.
(Inspirado aqui)


terça-feira, setembro 12, 2017

Furto de Tancos

O hipotético desaparecimento de material de guerra armazenado em Tancos está a deixar muita gente nervosa.
Por enquanto, porém, este furto ainda não passou de um "alegado furto", a não ser que os nervosos do PSD/CDS e comentadores conexos tenham  acesso a informações que os investigadores desconhecem. 

Se um alegado furto, ou outro qualquer alegado acontecimento ainda não provado, faz rolar a cabeça de ministros, talvez vivamos num alegado estado de direito...

Alegar é fácil, provar é mais complicado. 

domingo, setembro 10, 2017

A negação da democracia


Que Passos Coelho está preso no labirinto que ele próprio criou, poucos duvidam. A sua substituição na liderança do PSD é tão previsível como a mudança de um treinador de futebol numa equipa que acumula derrotas. É dos livros.

Que haja comentadores que "não vislumbrem no PSD um único sucessor capaz", é revelador do enquistamento da direita do PSD, que Passos representa, pois, num partido com a sua dimensão, afirmar que não há alternativas à liderança equivale a uma negação da democracia. Há sempre alternativas, embora nem todas agradem a todos, mas a democracia é assim mesmo.

Os comentadores que querem "manter o PSD no espaço político que hoje ocupa" são os mesmos  que apoiaram a  política desastrosa quando governou e hoje suportam os muros do labirinto em que Passos Coelho se encerrou.
Tal como Passos e Cavaco, também eles questionaram a legitimidade da Assembleia da República para recusar  o governo minoritário da coligação PSD/CDS, em favor do governo do PS apoiado pelo PCP e BE. Questionam a democracia.

sexta-feira, setembro 08, 2017

Crime no Facebook

Aqui ao lado, em Espanha, uma mulher de 45 anos, uma senhora portanto, ficou assanhada com as declarações de uma deputada do partido  Ciudadanos e foi desabafar no Facebook:

Convenhamos qe ser violada por um grupo não é coisa que se deseje a ninguém.

Naturalmente arrependida, perdeu o emprego, é criticada por todos, arranjou um problema para si e para a sua família e não se livra de um processo por crime de ódio.

Os perigos do Facebook são vários, sobretudo para quem o usa para desabafar...


quarta-feira, setembro 06, 2017

Teorias de conspiração

Apagado o fogo, as atenções do PSD e do CDS voltaram-se para o dinheiro dos donativos, insinuando que o governo o terá desviado.
O governo esclareceu que só controla um fundo com cerca de 1,9 milhões de euros, muito longe dos 13 ou 14 milhões que a oposição de direita diz terem sido recolhidos.

Ao PSD e ao CDS só interessa a chicana política, esquecendo que os tais 13 ou 14 milhões que referem, a existirem, ainda não foram entregues ao fundo controlado elo governo. 
Uma coisa é pedir esclarecimentos, de preferência com bons modos. Outra, completamente disparatada, é começar logo aos tiros para o ar a ver se acertam em alguém.
(Às vezes, faz ricochete e acertam no pé...)


segunda-feira, setembro 04, 2017

Secundario

O desenvolvimento do país precisa de infraestruturas que dependem quase exclusivamente do investimento estatal.
Uma infraestrutura essencial, para o turismo e outros negócios, é o aeroporto de Lisboa que está a rebentar pelas costuras. 

Dado o elevado custo para os cofres do estado, conviria que as decisões relativas a estes investimentos fossem tanto quanto possível consensuais, evitando querelas que criam impasses e atrasam o desenvolvimento. Hoje ninguém discute a barragem do Alqueva, mas as discussões sobre a sua construção atrasaram vários anos a riqueza que trouxe ao Alentejo.

O consenso politico-partidario sobre as infraestruturas interessa ao país. Considerá-lo secundário é mais uma demonstração de irresponsabilidade política de Pedro Passos Coelho.